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14/06/2008 GMT 1

SABER SER LIVRE...(ARTUR DA TÁVORA)

donetzka @ 06:09

                                       

CAVALO ALADO PEGASUS VOAR ANIMADO
Posso nascer sem braços e treinar a tal ponto os dedos dos pés até fazer-me bom pintor. Vencido pelo destino, venci-o, é certo, ao pintar quadros com o pincel entre dois dedos dos pés. Só o fiz, contudo, depois de a ele submeter-me. Conheço pintores que pintam com o pincel entre os dentes. Liberdade é a instância que me permite a escolha de vários caminhos após a imposição do destino. Onde uma, onde o outro, eis a descoberta penosa do existir. Agir, eis o ser ! Por isso a liberdade é o supremo bem do homem, abaixo, apenas, da vida. É instância eternamente presente porque sempre precisa ser conquistada. Nasce da falta de respostas essenciais da vida. Se tudo fosse conhecimento e luz, não haveria liberdade: só repetição. A cada imposição (de qualquer natureza) brota, concomitante, a liberdade (pelo menos em potência) de algo a se fazer. Não se eliminará, portanto, jamais a liberdade, por mais que contra ela diariamente se atente. É a presença determinista do novo em qualquer ato, idéia ou sentimento. A liberdade é, portanto, ela, uma filha do destino que faz o ser humano  ser ao mesmo tempo determinado pelo mistério e livre para saber o que fazer com tal determinação. Ceder, passivo, ao destino, é tão grave quanto tentar opor-se ou transgredi-lo. Compreender a dialética envolvida nesses dois pólos, é o suplício diário da existência humana porque joga com uma instância concreta mas incompreensível (o destino) e outra subjetiva e desejável embora fugidia, imprecisa e difusa (a liberdade).

Equívoco é tentar opor liberdade a destino. Idem, o desistir da liberdade onde se supunha haver apenas destino. Destino é acaso ou mistério e não o que está escrito no “livro do céu”; é algo de próprio, profundo. Liberdade também é destino, faz parte da “destinação” psico-bio-genético-físico-metafísica do ser humano. Destino é individualidade. É próprio, intransferível. Destino é o que nos difere dos demais.Liberdade é o que nos permite unir  compreender e aprender a amar os demais. Na aceitação do Destino, lateja sempre a potencialidade da liberdade, pois só a partir dela é possível transformar a vida numa atividade (relativamente) feliz, útil, saudável e criativa. É livre quem, reconhecendo os limites do seu destino, capaz de descobrir o novo, o acaso, o criativo e só assim encontra Deus. Deus é o ponto de encontro e fusão entre o destino e a liberdade. Descobrir, portanto, o destino próprio a cada ser, não como “o que está escrito”, mas da forma que lhe é peculiar, único, individual, e segui-lo, sendo sempre criativo , sabendo-se filho de Deus, perdoando e amando, eis o ápice da liberdade.

 Em síntese: o máximo de identidade no mínimo de egocentrismo, eis o segredo.

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